Terça-feira, 20 de Abril de 2021

O LIVRO B -2

O que lhes faltava ? Acertar contas com a República e o Presidente Manuel Nunes . As primeiras decisões da Comissão a isso se destinam : pôr em causa a seriedade e honorabilidade da anterior Junta , autorizar a venda das leiras e acusar o Presidente da Junta de falsificar actas em favor próprio e de sua família. Nada mais se poderia exigir desta Comissão que nomeada tinha por Presidente o Padre Ramalho ,adversário convicto da República e da Lei da separação da Igreja e do Estado. Esta lei dava às Juntas de Freguesia o poder para administrarem os bens pertencentes à Igreja e sempre foi contestada e não aceite pelo clero . Na acta da sessão de entrega dos documentos e bens da Junta à Comissão logo o Pe Ramalho diz que os terrenos a norte da estrada sempre pertenceram à Igreja por serem o adro da Capela. No final da acta os Srs Manuel Nunes, ex-presidente , o ex-vogal Francisco Roque Barata, o ex-vice-presidente José de Oliveira Braz e o Regedor, fazem uma declaração de voto que assinam e dizem “não ser verdade esta parte da acta , pois que estes terrenos sempre fizeram parte do Carvalhal do Povo e que até se encontravam arrendados pela Junta por uma quantia que era lançada no Orçamento anual”. Lança-se o Pe Ramalho numa fúria de acusações contra Manuel Nunes a quem acusa de abuso e uso dos bens públicos, tentando justificar em longas actas e por formas demasiado ínvias, os possíveis desmandos do anterior Presidente da Junta. Desde a tentativa de o acusar de rasurar e emendar actas ou de inventar sessões inexistentes ,de ter abusado das sua presidência ao continuar a trabalhar e a aforar terrados para construção depois do golpe militar de 28 de Maio , que ele classifica de revolução nacional de 28 de Maio que veio livrar o país das habilidades políticas e acusando o Presidente Manuel Nunes de ter feito um autêntico roubo aos pobres desta freguesia quando em 1921 dividiu o carvalhal do povo. Não será isto uma autêntica vingança pessoal e a tentativa de recuperação daquilo que fora um gesto nobre e ideal ? Claro que sim. O Pe Ramalho manda arrancar os marcos do Carvalhal do Povo que haviam sido colocados em 1921. Porquê? Não eram os poucos poderosos que já detinham a posse da maioria do terreno do Carvalhal ? Teria de ser destruído o espírito de partilha de 1921 . Era preciso impor a velha regra e para isso havia que desautorizar os homens da partilha para que a sua obra fosse destruída. Tudo foi tentado; denúncia pessoal ,atentado à dignidade e honorabilidade, ameaça com tribunais . Chegou a dizer-se que Manuel Nunes havia falsificado várias actas, incluindo a de 1921 ,para proveito próprio . Ora esta situação não se justifica ,quanto a mim , por 2 motivos: 1º . quem lavrava as actas da Junta era o Secretário que não era eleito ,mas contratado para este trabalho e apresentam-se todas assinadas por todos os vogais da Junta. 2º- quem quer justificar as rasuras e emendas é quem escreve as actas. É o Sr Pe Ramalho quem escreve as actas, isto é , sendo Presidente da Comissão é ele também o Secretário, vendo-se algumas destas suas actas escritas por 2 tipos diferentes de caligrafia. Até mesmo o recurso ao Professor Primário para justificação da sua interpretação se mostra completamente desajustada por ele ser , também, vogal da Comissão Administrativa. E por que manda ele arrancar os marcos ,quando se sabe que um marco é uma coisa intocável e o seu desrespeito é punido pela lei ? No sentido de pressionar os mais fracos a Comissão altera o regulamento dos terrados aforados para construção na parte final do ponto 5º, em que se diz que se o foro não for pago só passados oito anos se perde o direito ao terrado, para dois anos ,levando a que alguns com terrados atribuídos desistissem. É caso exemplar o Professor Oficial de Valverde que numa carta devolve o terreno que lhe fora atribuído em 1924 para construção da sua casa devido a diversas circunstâncias que o impedem de cumprir a deliberação da Junta. A outros que em 1926 lhe foram dados novos terrados para construção foi-lhes discricionariamente negada a sua posse . Consulta o Sr Pe Ramalho um Advogado no intuito de poder decidir que as deliberações da Junta de Freguesia deveriam ser consideradas ilegais , o que não consegue pois obteve como resposta diplomática o termo poderiam ser . Diz-se que Manuel Nunes foi moralmente afectado e perseguido. Repousa no cemitério da nossa terra e achamos que lhe é devida uma reparação pública ,apesar de tanto tempo já ter passado. Esta reparação restauraria o respeito público da freguesia e reconheceria para sempre o grande feito deste homem. E o Carvalhal do Povo como estava ? Nesta altura desaparece o Carvalhal do Povo e nas Actas apenas se refere o Carvalhal . Terá sido por acaso a amputação da palavra POVO ou é a prova evidente das verdadeiras razões que perseguia o Pe Ramalho ? O Carvalhal hibernou, a construção parou . Apenas um novo proprietário ,que acede a alguns terrenos por herança ou compra familiar, faz construção de pequenas casas de renda económica, levando a que mais alguns habitantes para ali se tivessem deslocado . O Sr Godinho tinha vindo de fora e instalara-se aqui com ideias novas que beneficiaram a freguesia e as necessidades de habitação. Por aqui parou o movimento do Carvalhal.

publicado por valverdinho às 14:46
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