Segunda-feira, 12 de Abril de 2021

A Capela

A Capela Em “ O concelho do Fundão através das memórias paroquais de 1758 “ do Prof. Joaquim Candeias da Silva,podemos ler o que o Cura de Valverde ,Paulo Quaresma Soares,respondeu no nº 13 o seguinte. “Tem este povo três Irmidas : huma do Divino Espírito Santo,dentro do povo,outra de São Sebastião fora deste lugar,porem perto delle,e outra de São Domingos fora deste lugar,em distancia de um quarto de legoa;e pertencem ao povo,e nenhum acode romagem em nenhum tempo.” Na verdade , a Capela de São Sebastião, atrás referida, encontrava-se localizada em Valverde,mais precisamente na Rua de São Sebastião,junto ao Chafariz de São Sebastião,onde,ainda hoje, poderemos ver as suas ruínas. No livro de Actas da Junta de 1858 consta ,de entre as mordomias então existentes ,a de São Sebastião a quem o Pároco atribuiu “ que no Domingo chamado Gordo,ou naquele que lhes pareça que mais convém ,se tire o ramo de carne do mesmo modo como até agora se tem costumado”. E,por estar em ruínas , a Junta em Acta de 11/6/1911 deliberou “arrendar a profanada Capela de S. Sebastão,devido o Santo estar na Igreja matriz há muitos anos e a referida capela para nada ter servido”. Também em 1914 em Acta pode ler-se que a Junta “decide alienar uns palheiros e reduto onde fora a capela de São Sebastião,na rua do Chafariz e com os lucros decide comprar um relógio para a freguesia”. Esta deliberação seria anulada na Acta de 28/4/1914,mantendo-se as ruínas da capela. Em Acta de 5/1/1919 a Junta delibera :”vender a capela de S. Sebastião para ajudar nas despesas com a Nova Capela de S. Sebastião, que deve ser feita no Carvalhal do Povo: onde a Junta demarcará o terrado preciso para a referida Capela e Adro”. Com esta venda arrecadou a Junta de Freguesia a quantia de 230$00 (duzentos e trinta escudos). Formou-se uma Comissão que se encarregou da construção e ,mais tarde, em 1923,a entregou à mordomia de São Sebastião. Segundo a descrição do Inventário do Património Arquitectónico é de “planta longitudinal composta por nave ,capela-mor mais estreita e baixa e sacristia adossada.Volumes articulados de disposição na horizontal ,com cobertura diferenciada em telhado de duas águas na nave e capela-mor e uma água na sacristia.Volumes rebocados e pintados a branco.Fachada principal virada a O.com um pano delimitado por pilastras com aparelho almofadado.Na nave ao centro portal de verga recta,com porta de duas folhas,encimada por janela gradeada emoldurada,com curvatura na zona inferior.Na verga do portal,a inscrição de uma data 1919.Remate em empena com cornija em granito decorada com volutas nos ângulos inferiores.Ao centro ,plinto com cruz.Fachada S.com uma lâpide em granito com referência a 1919 no volume da nave,existindo,na capela-mor ,uma janela gradeada com moldura de cantaria.Remate das fachadas em beiral.Fachada E. cega com remate em empena.Na fachada N. janela e portal ,vãos de volta perfeito”. Na parede do lado sul encontra-se a lápide em granito com o seguinte escrito : DEUS PÁTRIA SÃO SEBASTIÃO/ EM HONRA DE SÃO SEBASTIÃO/ GRAÇAS RECEBIDAS/ A GRANDES GUERRAS / DE 1914 -1918 HOMENAGEM / DO POVO DE VALVERDE A 5-7-1919. O Adro, denominado arraial, era o lugar das festas e nos anos da década de quarenta do século passado serviu de campo de futebol. Pela leitura das Actas ficamos a saber que o parque imóvel religioso se encontrava todo em mau estado.A Junta teve de recuperar a Capela do Espírito Santo em 1914 que ameaçava ruir. Também a Capela de São Domingos estava em ruínas e ainda tentou movê-la para o Carvalhal do Povo,desta vez, sem conseguir autorização ; foi recuperada e manteve-se no mesmo lugar para bem de todos. Durante o século XX a festa de São Sebastião tornou-se a mais importante da freguesia. No século XIX a festa de São Domingos era uma das mais concorridas romarias do concelho do Fundão e realizava-se anualmente no dia 15 de Julho. As festas e a devoção ao São Sebastião A placa da Capela remete-nos para uma dedicatória ao São Sebastião como agradecimento pelo fim da 1ª Grande Guerra.A sua festa passou a realizar-se no fim de semana mais próximo do dia 15 de Agosto.Os preparativos começavam muito mais cedo.Logo no Domingo Gordo,o último antes do Carnaval, saíam os Mordormos na recolha das dádivas,porta a porta, para o Ramo das carnes,quase sempre chouriças de vários comprimentos que eram oferecidas ao Santo para pagamento de várias promessas. Este modo de recolha do Ramo das carnes é uma tradição que vem a ser cumprida desde 1858 ,conforme determinado pelo Pároco ,e que consta da Acta da Junta da Paróquia :”que no Domingo chamado de gordo ou naquele que lhes pareça que mais lhe convem,se tire o ramo das carnes do mesmo modo como até agora se tem costumado”. Este ramo das carnes era leiloado no sistema de pregão no Adro da Igreja,tendo mais tarde transitado para o Largo da Amoreira,para não impedir o trânsito na estrada. Na década de sessenta,durante a guerra colonial,esta festa revestiu-se ,de novo, de grande cerimonial e redobrou a necessidade de pedir a intervenção do santo na protecção dos jovens que demandavam África.

publicado por valverdinho às 18:23
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