No Domingo ,no intervalo do jogo do nosso Desportivo, enquanto uns garotos se divertiam chutando para a baliza e gritando desvairadamente Golo! Golo! Golo !,sempre que a bola entrava , veio à conversa como era dantes.
Nós ,os garotos, podíamos jogar à bola em qualquer lugar : no Adro, no Arraial do Carvalhal, na Escola, em qualquer sítio onde se pudessem por duas pedras para servirem de balizas.Até na estrada.Sim ,até na estrada!
Assim se faziam os pequenos craques da nossa terra que sonhavam um dia poder vestir o equipamento do Desportivo. Jogos de muda aos cinco e acaba aos dez.Que muitas vezes viravam em pequena pancada de garotos. E ,como eram renhidos os jogos entre Valverde e Carvalhal, sem árbitro e com regras muito próprias.
Sonhando … que um dia vestiríamos orgulhosamente a camisola do Desportivo.
Por tudo isto e por todas as outras coisas se poderá afirmar que tudo se cruza com a poesia das coisas belas e simples da vida de um amante de futebol.
Matilde Rosa Araújo,professora,poetisa,escritora de contos para jovens, brindou-nos com a maravilha que se segue :
GOLO
Os meninos
Que jogam à bola na minha rua
Jogam com o Sol
E os pés dos meninos
São pés de alegria e de vento
A baliza uma nuvem tonta
À toa
Na luz do dia
E eu olho os meninos e a bola
Que voa
E oiço os meninos gritar . Go…o…lo!
E não há perder nem ganhar
Só perde quem os olhos dos meninos
Não puder olhar.
Certeza ,certeza, só uma :que poesia rima com futebol ,golo e alegria.