Ao fazer uma leitura de um livro (Alcaide-Uma aldeia da Gardunha de Albano Mendes de Matos) deparei com um texto sobre os sinos, a sua simbologia e a sua intervenção social nas freguesias.A determinado ponto encontrei o seguinte:
“Corre na tradição alcaidense a seguinte onomatopeia fonético-ideológica,relativa aos timbres dos sinos das aldeias de Valverde,Donas e Fatela,vizinhas de Alcaide,em que os sinos das primeiras três freguesias,pelas suas características sonoras ,são ridicularizados pelos do Alcaide:
Diz o sino da Fatela,empertigando-se,no seu campanário ,com voz de garota barulhenta:
- Tem lêndeas! Tem lêndeas ! Tem lêndeas !
Sentencia o de Valverde ,com voz de cana rachada:
- Se tem,tira-lhas ! Se tem, tira-lhas ! Se tem, tira-lhas !
Pergunta o das Donas,com voz rouca:
- C’um quê ? C’um quê ? C’um quê ?
Responde o do Alcaide ,com o seu vozeirão,bem timbrado,abafando o som de todos os outros:
- C’um bardalhão ! C’um bardalhão ! C’um bardalhão ! “
Outros tempos e outras relidades.