Vivem-se tempos crispados na nossa terra.A queda portuguesa para desdenhar daquilo que é nosso e valorizar aquilo que é dos outros tem vindo a sublimar-se também em Valverde.Vem isto a propósito de ter lido e ouvido que a nossa terra não tem património digno de registo.Isto,quanto a mim,é um erro crasso.E não falo apenas do património arquitectónico;mas até poderia falar dele,o que farei noutra altura.Direi apenas que o património construído é de real valor.Há outros patrimónios que têm sido esquecidos.Refiro-me ao património cultural,gastronómico,social e humano.Este último será o de maior grandeza.Esta terra que todos os valverdendes integram,cada um à sua maneira,é o de maior grandeza.
Um destes dias recebi um agradável telefonema de um bom valverdense que há largos anos se encontra ausente mas que nunca nos esqueceu.Segue atentamente a vida da freguesia pelos blogs e pelo Jornal do Fundão,de onde tem recolhido informação e fotografias de conterrâneos seus e nossos.Grande é esta dedicação e afecto à sua e nossa terra! Apetece dizer :Bem Haja por não nos ter esquecido.Isto é,sem dúvida,o maior património humano e social dos valverdenses.
Também no sábado de Páscoa um outro valverdense a quem a vida obrigou a deixar a sua terra para trabalhar na grande cidade ,me contava que uma sua neta ,que frequenta o 4º ano de escolaridade,encontrou em sua casa um livrito sobre a história de Valverde.Leu , gostou e levou para a sua Escola.Ali descobriu a lenda da Fonte da Moureta que encheu de curiosidade os colegas e professora.De tal maneira gostaram da pequena história que decidiram trabalha-la ,dramatizaram e encenaram para um espectáculo de natal da escola.Contou-me babado que tinha sido qualquer coisa tão importante para ele ouvir falar naquela terra onde mora da sua terra natal que lhe vieram as lágrimas aos olhos.Aqui está o nosso património cultural,não tenhamos vergonha de nós,da nossa terra,das nossas gentes residentes e ausentes.