CAPELA DE SÃO DOMINGOS
Época de construção desconhecida
Volume simples de disposição na horizontal com embasamento pintado a cinzento ,contrastando com o reboco branco do restante muro. Cobertura em telhado de duas águas. Fachada principal orientada com um portal de volta perfeita, com porta de duas folhas, em ferro. Do lado esquerdo da porta tem um óculo como característica particular .Remate da fachada em empena angular rematada por cruz.
Fachada voltada a Norte cega, rematada por beiral.
Fachada Oeste cega, rematada por empena angular. A sul possui uma fresta e é rematada em beiral.
Arquitectura religiosa ,vernacular . Capela de planta longitudinal simples. Fachada principal com portal de volta perfeita e remate em empena com ângulo.
Alçados laterais com cunhas e remates simples, surgindo, no alçado lateral esquerdo ,fresta na zona do altar-mor.* (nº IPA 0504290045)
Em 1758 0 Cura de Valverde ao fazer a relação das capelas da freguesia escreve o seguinte : “… e outra de São Domingos fora deste lugar,em distância de um quarto de légua..”.**
Domingos de Gusmão, de seu nome ,nasceu em Caleruega – Espanha em 1170 e morreu em 1221.Em 1215 fundou a Ordem dos Pregadores ,também denominada Ordem dos Dominicanos ,confirmada pelo Papa Honório III em 1217. Dava testemunho da verdade através do diálogo e do exemplo de pobreza. Diz-se que foi o instituidor do Rosário ,vulgarizado com a forma de Terço .Foi canonizado em 1234 pelo Papa Gregório IX.O seu Dia Litúrgico celebra-se a 4 de Agosto.
Da antiguidade da sua capela até à lenda cultivada pelos nossos antepassados pouca diferença haverá . Sabe-se pelo menos que no Século XVIII já a Mordomia de São Domingos realizava a sua festa. No 3º Domingo de Agosto acontecia a romaria ao São Domingos de Valverde integrando o calendário das festas e romarias do concelho do Fundão.
A estátua do Santo é muito valiosa ,não só pela antiguidade mas, também , pelo seu valor estético e escultórico . Esculpido em peça inteira de madeira é uma obra notável e rara.
A sua pequena Capela de construção muito antiga ,remontará ,provavelmente, aos Séculos XIV ou XV , tinha no seu interior um altar policromo . No pequeno terreiro nasceu uma frondosa carvalha ,já desaparecida , que estendia os seus longos braços por sobre a capela e oferecia a sua sombra quando os nossos conterrâneos comiam , debaixo das suas abas, a merenda em pleno dia de festa.
A lenda diz que esta carvalha nasceu de um pau de um pastor que num domingo de festa assistia à Missa e o enterrou no chão. Quando quis retirar-se não conseguiu arrancar o seu cajado ,por que este havia tomado raízes e transformar-se-ia na enorme carvalha . Caiu carcomida pelos bichos ,pelo peso da idade e do caruncho.
À sua volta encontram-se as Hortas de São Domingos, pequenas parcelas de terreno ,foreiras da mordomia de São Domingos. Bem perto está a Fonte da Moureta e o Chão da Tenda ou Tendeiro onde ,diz a lenda ,se realizava uma feira de cavalos .
Para ,finalmente ,se provar da antiguidade desta capela e do seu santo será conveniente recordar que as Inquirições Joaninas de 1395 referenciam estas terras de São Domingos como pertencendo à Igreja de Valverde que entestava com outra propriedade a que se chamava Fonte do Denouro.