Terça-feira, 6 de Abril de 2021

O Carvalhal do concelho antes do Carvalhal do Povo

O Carvalhal do Povo no Século XXI O Carvalhal ocupa uma zona da freguesia de Valverde bem delimitada por ser coberta de pedras castanhas,denominadas de cascalho,com extensa área de olival,anteriormente coberta por árvores,matos e pastagens. Era um baldio administrado pela Junta da Paróquia /Junta de Freguesia que regulava o seu uso pelos vizinhos ,arrematando todos os anos a sua fruição pelo arrendamento das pastagens públicas. Segundo José Monteiro ,no seu livro” Ao redor do Fundão”,a paginas 71,podemos ler o seguinte : “Remontado a eras pré-romanas a cultura sistematizada de castanheiro deve-se ,entre nós ,ao génio agrológico do Rei-Lavrador,que mandou plantar uma das três vertentes da Gardunha…. Assim amanheceu,para defesa da terra e abastanças dos povos ,a célebre Mata do Fundão,inscrita em longa faixa de úbere sub-solo,entre o plutónico do sul e o triangulo pleistocénico de Fundão-Donas_Valverde”. E,mais adiante,a páginas 341,com o título “O Carvalhal de Valverde”,escreveu também :”Remonta a tempos imemoriais a pública fruição do carvalhal de Valverde,robledo frondoso sucessivamente desbastado e de que há cerca de meio século apenas vicejavam moutas de arrebentação ,pespontadas de giesta e rosmano. O velho «carvalhal do concelho» ficou então coimeiro por determinação da Junta da Paróquia ,o que importava a inibição cominatória do respectivo logradouro,desde a época da arrebentação (Março-Abril) até aos fins de Agosto. O anúncio proibitivo era feito pelo vigário à missa conventual ,na entrada da Primavera : quem fosse encontrado a roçar mato em tempo de defeso seria acoimado à razão de um quartinho por infracção. Do mesmo modo se anunciava ,para o começo de Setembro,o uso comum dos matos ,subordinado à produção do baldio e às necessidades de cada vizinho.Para tanto,a Junta e o regedor designavam previamente o número de carradas que a uns e outros competiam e os dias destinados à roça,por famílias ou fogais.Em tempo próprio ,o próprio regedor avisava de casa em casa ,ao escurecer,os chefes de fogal a quem cabia a roça do dia seguinte. Assim feitas a distribuição e recolha,ficavam livres entre o povo os matos remanescentes. Mas o carvalhal entanguecia,mal abrolhavam já as moutas exaustas.E a um Domingo,3 de Abril de 1921,ao abrigo de disposição legal ,procedeu-se à repartição do baldio em 228 glebas ou bolémas – que tantas eram as famílias do agregado. Compareceram no carvalhal a Junta de Freguesia,o regedor,o vigário e todo o povo.Cada chefe de família ,chamado por ordem alfabética,tirou à sorte ,de um cântaro de folha,o bilhete com o número do respectivo quinhão. Dias antes,procedera o Presidente da Junta,com dois homens do povo,à divisão da terra em bolémas,cravando marcos e numerando as sortes. Fechava-se, assim,um longo estádio de amistosa fruição do baldio,que dava agora a sua raiz à faina agrícola de 228.vizinhos”.

publicado por valverdinho às 17:28
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