A festa de S. Sebastião foi,ainda não há muitos anos,a principal realização colectiva da nossa terra.Nas décadas de 60 e 70 teve mesmo grande brilho e devoção.Reparemos que o S. Sebastião além de proteger os animais domésticos(lembremo-nos do ramo das chouriças) tinha o encargo e a devoção de proteger os mancebos valverdenses que iam de abalada para a guerra colonial.E de tal maneira o fez que apenas um foi vítima da cobarde guerra que a todos atormentou.Este era o dia do reencontro e de pagar promessas
Não resisto a transcrever uma parte de um livro da chamada literatura de guerra (Crónica de guerra com poesia e amor por dentro) : o meu filho já não me escreve há um mês.Não sei se ainda é vivo ou se já morreu.Da última vez que me escreveu dizia que a guerra estava cada vez mais assanhada.Por acaso ele também não lhe tem escrito?Não sabe notícias do meu filho?Escreva-me lá uma cartinha para vver se ele ainda me responde.Alguma coisa aqui no meu coração me diz que o meu filho não está bem.
Bem sabia. Vítima. oficialmente,de emboscada e ferido foi evacuado para Luanda.
Coisa pouca,muita sorte.
-Eu bem dizia que alguma coisa lhe tinha acontecido.O coração de uma mãe nunca se engana.Maldita seja a guerra e mais quem a manda fazer.Só Nossa Senhora e o Divino São Sebastião mo podem trazer são e salvo.E ,quando ele vier,hei-de pagar as promessas que já fiz.
No dia 14 de Agosto lá vai ele levando aos ombros o Divino São Sebastião com mais três amigos.Fardados,porque promessa é promessa e é para ser cumprida.Atrás vai sua sofrida e chorosa mãe de vela e terço na mão e lágrima no olho.O seu coração de mãe está agora agradecido e mais aliviado.O mais novo já vai à inspecção daqui a dois anos,e se aquilo não acaba...