Os largos da freguesia
Uma das coisas que a POPUVAL veio fazer ressurgir foi a importância dos largos da freguesia. E são vários: Largo da Amoreira,Largo do Espírito Santo, da Corredoura,da Lage,do Outeiro ,do Boeiro,da Cruz das Almas,de São Sebastião,dos Arais,Terreiro da Coxa,da Fonte ,o Arraial.
Os largos são lugares espaçosos onde desembocam várias ruas, têm um nome,uma história e sempre foram de grande utilidade para a terra.
O Largo da Amoreira ou Largo da Praça
O Largo da Amoreira ,o maior da freguesia, deverá o seu nome a ter ali existido uma grande amoreira.É sabido que com a instalação da fábrica da seda no Fundão,mais exactamente no edifício que hoje alberga os Paços do Concelho, a mando do Marquês de Pombal se plantaram amoreiras em grande quantidade ,para satisfação da produção da seda na fábrica do Fundão.Ora,é muito comum em várias terras do concelho haver um largo ou uma rua com o nome de amoreira.É,também,sabido que por volta do ano de 1867 esta árvore foi atacada por um bicho ,moriens,que dizimou a grande maioria das amoreiras que tanta importância tiveram na economia desta zona.
Anteriormente o Largo da Amoreira também foi conhecido como Largo da Praça. Este nome advém-lhe de onde? Largo da Praça por ser o maior.Aqui se juntava o povo para as suas grandes manifestações comunitárias.Aqui se vendiam os produtos agrícolas produzidos na freguesia ou oferecidos por comerciantes ambulantes (ainda hoje muita gente se lembra de vir o peixeiro/sardinheiro vender aqui).Aqui se realizavam os espectáculos de circo ambulante que de vez em quando visitavam a nossa terra.Aqui se realizou um último espectáculo de fantoches que nos visitou (e ainda me recordo chamava-se de Zé Broas e mais qualquer coisa que não posso lembrar).
Mas este lugar da Praça era o lugar onde os trabalhadores rurais se juntavam oferecendo seu trabalho braçal aos proprietários que os quisessem contratar para as suas terras. Aqui o proprietário contratava os jornaleiros que precisava e a quem pagava uma jorna que aqui era combinada.
Jornaleiro era o trabalhador rural que trabalhava ao dia e que recebia em troca a jorna ou salário diário.
Era ,também, aqui que aos domingos os patrões acertavam as contas com os seus trabalhadores que viviam nas quintas.Eram chamados de pessoal da folha.Quer isto dizer que este residentes nas quintas trabalhavam a tempo certo para um grande proprietário agrícola e que aos domingos vinham receber o seu salário (fazer a folha) e vender alguns produtos agrícolas. E Esta cerimónia era de tal maneira importante que o Pároco da freguesia justificou em 1858 em Acta da Junta da Paróquia a mudança da hora da missa dominical para o meio dia,a fim de que os habitantes da folha a ela pudessem assistir e tratarem em seguida dos seus assuntos.
Daí que até ainda há poucos anos se ouvisse chamar de pessoal da folha às pessoas que moravam no campo.