Terça-feira, 4 de Maio de 2021

O Livro B - 5

CAPÍTULO FINAL Acreditando eu que a história de uma terra é feita pelo seu povo, pelo seu colectivo, sou levado ,também, a constatar que há ,por vezes, personagens que se destacam ,que marcam a sua época e se distinguem com as suas atitudes. Volvidos tempos ,e ,depois de uma cuidadosa releitura do Livro de Actas B da Junta de Freguesia, verifico que há duas personagens que se destacam ,de modo contraditório, em toda esta pequena história do Carvalhal : Manuel Nunes , Presidente da Junta de Freguesia, e Pe Ramalho, Pároco , Presidente da Comissão do Culto e Presidente nomeado da Comissão Administrativa. Ambos representarão o antagonismo entre a ordem civil legal e o poder eclesiástico sobre o que sempre tem vindo a ser o principal ponto de discórdia : a posse dos terrenos do Carvalhal. Serão eles os representantes mais visíveis de uma espécie de luta de classes que se travou tendo por fundo a posse do Carvalhal do Povo ? Concedo que são dois homens de forte personalidade, opostos no pensar e no agir ,que marcaram fortemente as suas intervenções de forma ideológica e política. Manuel Nunes ,homem de algumas posses ,republicano assumido,aproveita ideologicamente a oportunidade para transformar um terreno baldio numa acção de partilha por todos os moradores. Transforma uma quantidade de desprotegidos em proprietários ,dá-lhes terrenos para fazerem as suas casas, indica o caminho a seguir para o aproveitamento do Carvalhal e traça-lhes ,sem quaisquer dúvidas , o caminho do futuro. O Pe Ramalho, homem religioso ,adversário da República , contestatário da divisão do Carvalhal ,ideologicamente oposto ao Presidente da Junta , de um pragmatismo extremo que não revela hesitações ao ocupar-se de vários lugares para levar os seus fins até à conclusão . O choque entre estes dois homens foi forte, porque ambos eram fortes personalidades e atingiam fins bem determinados . Manuel Nunes decide fazer a divisão do baldio, entregá-lo ao povo e traçar-lhe o futuro. Assume-o. Com frontalidade desenvolve a sua política e é com honorabilidade que assume por escrito a discordância com o Pe Ramalho quanto á posse dos terrenos a norte da estrada . Atitude arrojada que lhe vai custar caro . Chegado ao poder pelo golpe militar de 28 de Maio o Pe Ramalho vai começar imediatamente a vingança sobre a personalidade que se lhe opunha. Em várias actas tenta lançar a desonra e o vilipêndio sobre Manuel Nunes. Acusa-o de se ter beneficiado com os terrenos do carvalhal , de proteger a sua família ,de ter rasurado e falsificado as actas da Junta de Freguesia em proveito próprio . Persegue o objectivo único de subjugar e vencer o Presidente Manuel Nunes. Socorre-se do poder político instaurado com o golpe militar para combater aquilo de que sempre fora adversário : da República e do Carvalhal do Povo . Politicamente dedica-se a desfazer a imagem de honradez do seu adversário. Tenta processá-lo judicialmente e declarar ilegais todas as deliberações da Junta de Freguesia . Escreve que a divisão do Carvalhal foi um autêntico roubo feito aos pobres da freguesia . Manda sem demoras arrancar os marcos do Carvalhal . Tenta por todos os meios fazer regredir o Carvalhal à situação de indefinição ,o que não consegue ,mas vai quebrar o desenvolvimento, como é reconhecido em 1937 pelo então Presidente da Junta que toma medidas totalmente diferentes das tomadas pelo Pe Ramalho ,valendo-lhe esta sua coragem a presidência da Junta por apenas 1 ano. Manuel Nunes terá sido exemplar no exercício do seu cargo ? Constato que ninguém será perfeito . A sua obra foi de relevante importância para a freguesia, e a sua passagem pela Presidência da Junta de Freguesia foi a mola de impulsão que esta terra precisava para se erguer à posição de destaque no concelho que agora ostenta . Não terá sido um santo ou mártir. Assumiu com toda a dignidade a sua ideologia ,praticou-a em favor de todos e ,por isso ,acabaria por sofrer rudes golpes na sua vida pública e privada. Não terá sido tudo bem feito, claro que não . Mas o seu interesse pelos seus conterrâneos foi sincero. Teria cometido um grande erro se tivesse trazido para o Carvalhal a Capela de São Domingos. Agora ,à distância do tempo, dizemos nós que teria sido um grave erro. Privar-nos-ia de hoje podermos desfrutar de tão singular festa e de tão aprazível local. A sua maior decisão dá-lhe um caracter de homem amigo da sua terra, das suas gentes e de homem de futuro. Esta coroa de glória é- lhe reconhecida e merecida . O Pe Ramalho era ,também , um homem frontal que exibiu pragmaticamente a sua origem familiar e religiosa, defendeu a sua ideologia e combateu denodadamente os seus adversários pessoais e políticos. Da intervenção destes dois homens resulta o Carvalhal da 1ª metade do Sec, XX. Terá sido uma luta simples entre bons e maus ? Foi apenas uma contenda entre dois homens totalmente diferentes, mas ,ambos, imbuídos de fortes convicções . Vai o Carvalhal manter-se esquecido e ignorado durante muito tempo e apenas no último quarteirão do passado século vai conhecer o desenvolvimento merecido. Procede-se ao arranjo urbanístico, distribui-se água ao domicílio e electrificação pública ,faz-se o saneamento básico, a pavimentação das ruas ,tratando-se em igualdade com a sede da freguesia. Mais uma vez o Carvalhal vai ser objecto político de uma revolução.O 25 de Abril de 1974 traz o Poder Local e este vai interessar-se pelo Carvalhal ,dá-lhe dignidade ,valoriza-o e reconhece-lhe identidade . Orgulha-se dele e promove a sua gente e o seu exemplo. Curiosamente ,o Carvalhal estará ligado às evoluções político-sociais do século tendo sido objecto de avanços e recuos conformes aos desígnios das diferentes ideias políticas e sociais . Estará ,por fim ,o Carvalhal em rota segura ? A dar crédito aos últimos acontecimentos quem poderá futurar? O Carvalhal estaria fadado para ser diferente. Que teria acontecido se a proposta de Boaventura Almeida tivesse tido bom encaminhamento e ali se tivesse instalado o campo de aviação ?

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Quinta-feira, 29 de Abril de 2021

O livro B - 4

O PROBLEMA DOS TERRENOS A NORTE DA ESTRADA. Desde sempre que a posse e fruição do baldio do Carvalhal do Povo tem sido origem de muita polémica e alguma discórdia.Antes da divisão do Carvalhal pelos chefes de família a situação de uso dos matos e pastos do baldio não era nada pacífica, o que fez com que a Junta da Paróquia tivesse nomeado guardas para vigiarem os abusos e desmandos praticados sem autorização.Informações que me prestaram algumas pessoas de idade confirmam estas actividades com uma pequena frase bem elucidativa : eles só apanhavam os desgraçados que iam arranjar um molho de giestas para acender o lume em casa. Como atrás já foi aflorado os terrenos a norte da estrada vão servir de confronto entre o Pe Ramalho e Manuel Nunes . Aquando da substituição da Junta de Freguesia pela Comissão Administrativa em 1926, o Pe Ramalho faz constar na Acta que aqueles terrenos são propriedade da Capela e da Mordomia de S. Sebastião. A isto se opõe o Presidente da Junta e outros membros cessantes, também o Regedor , que reafirmam serem aqueles terrenos pertencentes ao Carvalhal do Povo . Voltemos atrás , a 1919 ,quando a Junta delibera transferir a Capela de São Sebastião para o Carvalhal onde foi demarcado o terrado e respectivo adro. Em 1923 foi a referida Capela e adro entregues à Mordomia de São Sebastião. Ora o adro ,segundo me informam, sempre foi considerado como sendo o terreno onde se fazia a festa – o arraial – que se encontra do lado sul da Capela, em cuja parede se pode ler a inscrição já conhecida. Era um terreno com alguma dimensão pois que ali se fez a prática do futebol até à inauguração do campo na Lavajola em 1946. Tentou , ainda, a Junta de Freguesia transferir em 1923 a Capela de São Domingos por se encontrar em ruínas para o sítio do Carvalhal, terreno pertencente a esta Junta . Depois de ter sido pedida autorização à entidade que regulava a Lei da separação da Igreja com o Estado e esta tivesse demorado , decide-se a Junta pela recuperação da primitiva capela. Se a Capela de S. Domingos tivesse sido instalada no Carvalhal seria onde ? Note-se que ali se encontrava já a Capela de São Sebastião com o seu adro. Na Acta de Maio de 1921 ,mês seguinte ao da divisão do Carvalhal Concelho , consta ter sido despendida uma verba de 29$70 com a plantação de árvores a norte da estrada. Em 7 de Abril de 1927 , o Presidente da Corporação encarregada do culto católico pede à Junta de Freguesia a devolução dos bens da Igreja que estavam na sua posse desde 1911,desde a promulgação da Lei da separação da Igreja e do Estado , e no ponto nº 6 escreve o seguinte : 6 º . A capela de São Sebastião com o terrado que a circunda, árvores e casas anexas pertencentes à Mordomia de São Sebastião, imagens e alfaias da mesma capela . A Capela e o adro haviam sido já entregues em 1923 pela Junta de Freguesia à dita Mordomia e tudo o resto nunca foi pertença da Igreja . Deve ainda notar-se que o Presidente da Junta e o Presidente da Comissão do Culto eram a mesma pessoa , o Sr Pe Ramalho . Nada melhor do que isto para provar a falsidade das acusações feitas ao ex-presidente Manuel Nunes ,pois que se alguém se serviu do lugar para benefício próprio foi o Pe Ramalho . Ficamos, também, a saber pela Acta de 14 de Outubro de 1928,que havia sido publicada em Diário do Governo de 11 de Outubro de 1928 a Portaria nº 5619 ,que manda devolver os bens à Igreja . Aqui isto já havia acontecido há mais de um ano e meio . Quem a tudo presidia não precisava de leis para alcançar os seus intentos . Tudo isto não era ainda suficiente . Nesta mesma Acta reconhece a Junta que já entregou os bens à Igreja no ano anterior. Avança o Pe Ramalho e nesta mesma data exige que a Junta continue a custear as obras da Comissão, alegando que a Junta de Freguesia sempre ficara com metade das rendas do Carvalhal Concelho que eram propriedade da Irmandade do Santíssimo . Pela leitura das Actas mais antigas se pode concluir que o Carvalhal Concelho era arrematado pela Junta e o Regedor . Confusão maior entre poder temporal e religioso não poderia haver ! Mais tarde serão vendidos terrados a poente do arraial com alguma polémica ,mas sem grande contestação. Tiveram como fim o arranjo da Igreja Paroquial e satisfizeram as necessidades de construção de alguns valverdenses. A contestação vai voltar quando na década de 70 se urbaniza o discutido terreno a norte da estrada, onde se encontram o monumento do Senhor dos Emigrantes e aquele novo bairro. Houve de novo disputa da posse do terreno entre a Junta de Freguesia e a Comissão Fabriqueira da Igreja, tendo esta recorrido a um estratagema jurídico para demonstrar a sua posse. Informam-me que a Junta de Freguesia ,sensatamente, recuou numa disputa que apenas iria prejudicar os compradores ,que negociaram de boa fé. Mesmo assim, alguns haveriam de mais tarde sentir-se ludibriados.

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Segunda-feira, 26 de Abril de 2021

O Livro B -3

O ABANDONADO CARVALHAL A situação estava de tal modo que o Presidente da Junta em 1937 reconhece que os ideais da partilha do carvalhal haviam sido de tal maneira subvertidos que urgia tomar medidas. O espírito foi o de partilha “e de manter cada casal possuidor da sua gleba e evitar que a posse das glebas se acumulasse na posse de um pequeno número de habitantes da freguesia”. Era o que .realmente ,não acontecia . Por isso o Presidente Joaquim Carvalho toma duas medidas muito simples no sentido de facilitar a venda para aqueles chefes de família que não tinham nenhuma criando um laudémio reduzido de 3% e, dificultando, para os que detinham mais de 3 leiras um laudémio de 20 %. Excelente medida para o Carvalhal que recuperava o espírito inicial. Eram medidas que vinham contrariar as seguidas pelos anteriores executivos da freguesia e que ,de certa maneira, vinham agora repor justiça a quem fez do Carvalhal do Povo uma das mais importantes acções da história da freguesia. Por tudo isto este Presidente da Junta teria uma passagem muito rápida no seu lugar.A partir de agora o Carvalhal seria esquecido pelas autoridades religiosas e civis. O abandono era interrompido pela celebração anual da festa de São Sebastião ou, então, por algum acontecimento estranho que pudesse ocorrer, como é o caso dos ventos ciclónicos que assolaram esta região no ano de 1939 que destruiriam quase por completo o seu olival. A Junta de Freguesia ,que tinha um pequeno rendimento com as leiras, vai deixando de fazer a cobrança dos foros limitando-se ,apenas, a fazer em Acta as vendas e passagens de donos das leiras . Por exemplo , numa Acta de 1952 podemos ler com o título de “Transmissão de leiras sem laudémio”. São identificados os possuidores actuais e aqueles a quem vão ser atribuídas as glebas, e ,de seguida “Que é de sua livre e espontânea vontade transferirem todo o domínio e posse que têm tido nas referidas glebas para os segundos autorgantes acima mencionados,respectivamente seu genro e sua filha,reservando para si enquanto vivos o usufruto das mesmas.Pelos segundos foi dito : que muito reconhecidos agradecem a seus pais e sogros a transmissão do imóvel que estes lhe acabam de fazer,a qual aceitam por ser firme e de paz e livre de qualquer coacção.Vericando esta Junta não haver qualquer (impedimento) inconveniente que obste à vontade dos outorgantes foram as referidas leiras transferidas”.Tudo isto com a presença de duas testemunhas que também assinam a acta. Em 1969 perde esta sua última prerrogativa ao conceder às Finanças o domínio fiscal sobre o baldio do Carvalhal do Povo.

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Domingo, 25 de Abril de 2021

Hoje e sempre

VIVA O 25 DE ABRIL !!!

publicado por valverdinho às 09:57
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Terça-feira, 20 de Abril de 2021

O LIVRO B -2

O que lhes faltava ? Acertar contas com a República e o Presidente Manuel Nunes . As primeiras decisões da Comissão a isso se destinam : pôr em causa a seriedade e honorabilidade da anterior Junta , autorizar a venda das leiras e acusar o Presidente da Junta de falsificar actas em favor próprio e de sua família. Nada mais se poderia exigir desta Comissão que nomeada tinha por Presidente o Padre Ramalho ,adversário convicto da República e da Lei da separação da Igreja e do Estado. Esta lei dava às Juntas de Freguesia o poder para administrarem os bens pertencentes à Igreja e sempre foi contestada e não aceite pelo clero . Na acta da sessão de entrega dos documentos e bens da Junta à Comissão logo o Pe Ramalho diz que os terrenos a norte da estrada sempre pertenceram à Igreja por serem o adro da Capela. No final da acta os Srs Manuel Nunes, ex-presidente , o ex-vogal Francisco Roque Barata, o ex-vice-presidente José de Oliveira Braz e o Regedor, fazem uma declaração de voto que assinam e dizem “não ser verdade esta parte da acta , pois que estes terrenos sempre fizeram parte do Carvalhal do Povo e que até se encontravam arrendados pela Junta por uma quantia que era lançada no Orçamento anual”. Lança-se o Pe Ramalho numa fúria de acusações contra Manuel Nunes a quem acusa de abuso e uso dos bens públicos, tentando justificar em longas actas e por formas demasiado ínvias, os possíveis desmandos do anterior Presidente da Junta. Desde a tentativa de o acusar de rasurar e emendar actas ou de inventar sessões inexistentes ,de ter abusado das sua presidência ao continuar a trabalhar e a aforar terrados para construção depois do golpe militar de 28 de Maio , que ele classifica de revolução nacional de 28 de Maio que veio livrar o país das habilidades políticas e acusando o Presidente Manuel Nunes de ter feito um autêntico roubo aos pobres desta freguesia quando em 1921 dividiu o carvalhal do povo. Não será isto uma autêntica vingança pessoal e a tentativa de recuperação daquilo que fora um gesto nobre e ideal ? Claro que sim. O Pe Ramalho manda arrancar os marcos do Carvalhal do Povo que haviam sido colocados em 1921. Porquê? Não eram os poucos poderosos que já detinham a posse da maioria do terreno do Carvalhal ? Teria de ser destruído o espírito de partilha de 1921 . Era preciso impor a velha regra e para isso havia que desautorizar os homens da partilha para que a sua obra fosse destruída. Tudo foi tentado; denúncia pessoal ,atentado à dignidade e honorabilidade, ameaça com tribunais . Chegou a dizer-se que Manuel Nunes havia falsificado várias actas, incluindo a de 1921 ,para proveito próprio . Ora esta situação não se justifica ,quanto a mim , por 2 motivos: 1º . quem lavrava as actas da Junta era o Secretário que não era eleito ,mas contratado para este trabalho e apresentam-se todas assinadas por todos os vogais da Junta. 2º- quem quer justificar as rasuras e emendas é quem escreve as actas. É o Sr Pe Ramalho quem escreve as actas, isto é , sendo Presidente da Comissão é ele também o Secretário, vendo-se algumas destas suas actas escritas por 2 tipos diferentes de caligrafia. Até mesmo o recurso ao Professor Primário para justificação da sua interpretação se mostra completamente desajustada por ele ser , também, vogal da Comissão Administrativa. E por que manda ele arrancar os marcos ,quando se sabe que um marco é uma coisa intocável e o seu desrespeito é punido pela lei ? No sentido de pressionar os mais fracos a Comissão altera o regulamento dos terrados aforados para construção na parte final do ponto 5º, em que se diz que se o foro não for pago só passados oito anos se perde o direito ao terrado, para dois anos ,levando a que alguns com terrados atribuídos desistissem. É caso exemplar o Professor Oficial de Valverde que numa carta devolve o terreno que lhe fora atribuído em 1924 para construção da sua casa devido a diversas circunstâncias que o impedem de cumprir a deliberação da Junta. A outros que em 1926 lhe foram dados novos terrados para construção foi-lhes discricionariamente negada a sua posse . Consulta o Sr Pe Ramalho um Advogado no intuito de poder decidir que as deliberações da Junta de Freguesia deveriam ser consideradas ilegais , o que não consegue pois obteve como resposta diplomática o termo poderiam ser . Diz-se que Manuel Nunes foi moralmente afectado e perseguido. Repousa no cemitério da nossa terra e achamos que lhe é devida uma reparação pública ,apesar de tanto tempo já ter passado. Esta reparação restauraria o respeito público da freguesia e reconheceria para sempre o grande feito deste homem. E o Carvalhal do Povo como estava ? Nesta altura desaparece o Carvalhal do Povo e nas Actas apenas se refere o Carvalhal . Terá sido por acaso a amputação da palavra POVO ou é a prova evidente das verdadeiras razões que perseguia o Pe Ramalho ? O Carvalhal hibernou, a construção parou . Apenas um novo proprietário ,que acede a alguns terrenos por herança ou compra familiar, faz construção de pequenas casas de renda económica, levando a que mais alguns habitantes para ali se tivessem deslocado . O Sr Godinho tinha vindo de fora e instalara-se aqui com ideias novas que beneficiaram a freguesia e as necessidades de habitação. Por aqui parou o movimento do Carvalhal.

publicado por valverdinho às 14:46
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Sexta-feira, 16 de Abril de 2021

O LIVRO B DO CARVALHAL

Na verdade, tamanho arrojo havia de ser pago muito caro. Não tardou que o Carvalhal do Povo, que tão generosa e solidariamente havia sido dividido por todos ,se tornasse na quase totalidade propriedade de alguns, de muito poucos, que se apropriaram por diversas maneiras das glebas que a todos pertenciam. É claro que a divisão do Carvalhal em 1921 não agradou a todos. Os que mais possibilidades tinham em arrematar os pastos e matos do baldio perderam então um uso que muito contribuía para o seu enriquecimento. Vivia-se na I República, sistema político que beneficiava sistemas de compensações aos mais desfavorecidos ,que tomando medidas populares punha em execução as doutrinas políticas por que se regia. As classes dominantes encontravam-se num sistema defensivo e ,apesar de serem os grandes proprietários agrícolas que davam trabalho aos homens, as mudanças não lhes agradaram. Havia nesta terra apenas 3 casas agrícolas que davam trabalho ,trabalho mal pago e de quase escravatura. Aparecia ,também, uma pequena classe de comerciantes e pequenos proprietários a quem estas novidades agradavam. Note-se que passa a ser conhecido nesta freguesia uma nova figura política denominada delegado republicano ,que tinha por missão difundir e defender as ideias republicanas de liberdade , igualdade e fraternidade. Cientes de toda esta situação se encontravam o Presidente da Junta e os seus membros que ,note-se bem, na deliberação constante na acta de 3 de ABRIL DE 1921,na condição nº 8 não determinam depois de quanto tempo poderiam ser vendidas as leiras. Transcreve-se o referido ponto : “8º - as glebas só poderão ser vendidas depois de decorridos ----- anos e depois de estarem arborizadas “. É fácil verificar que no lugar onde deveria constar o número de anos se encontra um traço. Não terá sido por esquecimento mas ,é elementar ,foi um acto de prevenção contra a cobiça e o domínio dos mais poderosos adversários da partilha do Carvalhal. Temendo, ainda , uma reviravolta não pensada a Junta toma mais cautelas. Leia-se a condição nº9 da referida Acta : “ 9º - As glebas não poderão ser vendidas sem autorização da Junta de Freguesia “ . Seguindo sempre a ideia original, a Junta de Freguesia continuou a aforar glebas e terrenos para construção . Manuel Nunes sai da presidência da Junta ,mas o seu sucessor , Francisco Venâncio, continua a política de entrega de glebas e terrenos. Tudo isto vai contribuindo para o descontentamento dos mais poderosos. Move-se , entretanto , por via subterrânea e ao invés do regulamento a retoma do Carvalhal. Havia grandes necessidades por parte das famílias, tinha –se saído da guerra mundial que deixara tudo em péssimo estado, e havia acontecido há muito pouco tempo essa terrível peste que levaria à morte uma grande quantidade de habitantes desta freguesia . Havia pouco trabalho e as famílias contraíram dívidas para se sustentar ou tratar a saúde dos seus membros. O vício alcoólico dominava os homens sem trabalho e com famílias numerosas e esfomeadas. Por tudo isto se recorria a empréstimos junto de quem tinha dinheiro e a quem eram entregues como penhora as leiras do Carvalhal. Apertados por prazos muito curtos e pressionados entregavam as suas leiras para pagamento das dívidas. Ou ,como então acontecia , carregados de dívidas nas vendas e na taberna trocavam debaixo de enganos as leiras por copos de vinho - sempre se disse que o Bailarico,dono de uma taberna, fez assim a sua fortuna . A Junta de Freguesia cedo se apercebeu destas coisas e é fácil encontrar no Livro de Actas a menção da emissão de títulos de dívida de alguns habitantes desta freguesia. De volta à presidência da Junta , Manuel Nunes insiste na política de entrega de terrenos para construção a Norte da estrada. Adensavam- se nuvens no horizonte de Portugal em 1926, e ao mesmo tempo apressava-se o fim da política em favor do povo. Rebentara o golpe militar de 28 de Maio e a partir daqui começaria o calvário do Carvalhal e do Presidente Manuel Nunes. Destituída a Junta de Freguesia, que desde a implantação da República sempre havia sido eleita por voto popular, é nomeada uma Comissão Administrativa que vai impor uma situação completamente diferente. Não estavam contentes ,apesar de nesta altura já serem donos da grande maioria das glebas.

publicado por valverdinho às 14:50
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Segunda-feira, 12 de Abril de 2021

A Capela

A Capela Em “ O concelho do Fundão através das memórias paroquais de 1758 “ do Prof. Joaquim Candeias da Silva,podemos ler o que o Cura de Valverde ,Paulo Quaresma Soares,respondeu no nº 13 o seguinte. “Tem este povo três Irmidas : huma do Divino Espírito Santo,dentro do povo,outra de São Sebastião fora deste lugar,porem perto delle,e outra de São Domingos fora deste lugar,em distancia de um quarto de legoa;e pertencem ao povo,e nenhum acode romagem em nenhum tempo.” Na verdade , a Capela de São Sebastião, atrás referida, encontrava-se localizada em Valverde,mais precisamente na Rua de São Sebastião,junto ao Chafariz de São Sebastião,onde,ainda hoje, poderemos ver as suas ruínas. No livro de Actas da Junta de 1858 consta ,de entre as mordomias então existentes ,a de São Sebastião a quem o Pároco atribuiu “ que no Domingo chamado Gordo,ou naquele que lhes pareça que mais convém ,se tire o ramo de carne do mesmo modo como até agora se tem costumado”. E,por estar em ruínas , a Junta em Acta de 11/6/1911 deliberou “arrendar a profanada Capela de S. Sebastão,devido o Santo estar na Igreja matriz há muitos anos e a referida capela para nada ter servido”. Também em 1914 em Acta pode ler-se que a Junta “decide alienar uns palheiros e reduto onde fora a capela de São Sebastião,na rua do Chafariz e com os lucros decide comprar um relógio para a freguesia”. Esta deliberação seria anulada na Acta de 28/4/1914,mantendo-se as ruínas da capela. Em Acta de 5/1/1919 a Junta delibera :”vender a capela de S. Sebastião para ajudar nas despesas com a Nova Capela de S. Sebastião, que deve ser feita no Carvalhal do Povo: onde a Junta demarcará o terrado preciso para a referida Capela e Adro”. Com esta venda arrecadou a Junta de Freguesia a quantia de 230$00 (duzentos e trinta escudos). Formou-se uma Comissão que se encarregou da construção e ,mais tarde, em 1923,a entregou à mordomia de São Sebastião. Segundo a descrição do Inventário do Património Arquitectónico é de “planta longitudinal composta por nave ,capela-mor mais estreita e baixa e sacristia adossada.Volumes articulados de disposição na horizontal ,com cobertura diferenciada em telhado de duas águas na nave e capela-mor e uma água na sacristia.Volumes rebocados e pintados a branco.Fachada principal virada a O.com um pano delimitado por pilastras com aparelho almofadado.Na nave ao centro portal de verga recta,com porta de duas folhas,encimada por janela gradeada emoldurada,com curvatura na zona inferior.Na verga do portal,a inscrição de uma data 1919.Remate em empena com cornija em granito decorada com volutas nos ângulos inferiores.Ao centro ,plinto com cruz.Fachada S.com uma lâpide em granito com referência a 1919 no volume da nave,existindo,na capela-mor ,uma janela gradeada com moldura de cantaria.Remate das fachadas em beiral.Fachada E. cega com remate em empena.Na fachada N. janela e portal ,vãos de volta perfeito”. Na parede do lado sul encontra-se a lápide em granito com o seguinte escrito : DEUS PÁTRIA SÃO SEBASTIÃO/ EM HONRA DE SÃO SEBASTIÃO/ GRAÇAS RECEBIDAS/ A GRANDES GUERRAS / DE 1914 -1918 HOMENAGEM / DO POVO DE VALVERDE A 5-7-1919. O Adro, denominado arraial, era o lugar das festas e nos anos da década de quarenta do século passado serviu de campo de futebol. Pela leitura das Actas ficamos a saber que o parque imóvel religioso se encontrava todo em mau estado.A Junta teve de recuperar a Capela do Espírito Santo em 1914 que ameaçava ruir. Também a Capela de São Domingos estava em ruínas e ainda tentou movê-la para o Carvalhal do Povo,desta vez, sem conseguir autorização ; foi recuperada e manteve-se no mesmo lugar para bem de todos. Durante o século XX a festa de São Sebastião tornou-se a mais importante da freguesia. No século XIX a festa de São Domingos era uma das mais concorridas romarias do concelho do Fundão e realizava-se anualmente no dia 15 de Julho. As festas e a devoção ao São Sebastião A placa da Capela remete-nos para uma dedicatória ao São Sebastião como agradecimento pelo fim da 1ª Grande Guerra.A sua festa passou a realizar-se no fim de semana mais próximo do dia 15 de Agosto.Os preparativos começavam muito mais cedo.Logo no Domingo Gordo,o último antes do Carnaval, saíam os Mordormos na recolha das dádivas,porta a porta, para o Ramo das carnes,quase sempre chouriças de vários comprimentos que eram oferecidas ao Santo para pagamento de várias promessas. Este modo de recolha do Ramo das carnes é uma tradição que vem a ser cumprida desde 1858 ,conforme determinado pelo Pároco ,e que consta da Acta da Junta da Paróquia :”que no Domingo chamado de gordo ou naquele que lhes pareça que mais lhe convem,se tire o ramo das carnes do mesmo modo como até agora se tem costumado”. Este ramo das carnes era leiloado no sistema de pregão no Adro da Igreja,tendo mais tarde transitado para o Largo da Amoreira,para não impedir o trânsito na estrada. Na década de sessenta,durante a guerra colonial,esta festa revestiu-se ,de novo, de grande cerimonial e redobrou a necessidade de pedir a intervenção do santo na protecção dos jovens que demandavam África.

publicado por valverdinho às 18:23
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Quinta-feira, 8 de Abril de 2021

O Carvalhal do Povo

E o Carvalhal do Povo ? O melhor é transcrever a Acta Da Junta da Paróquia de 10/10/1872. “ Ele Presidente apresentou aos vogais uma circular cujo teor é o seguinte: - Administração do Concelho do Fundão-Circular nº 22 – Ilmo Snres. Para execução da Lei de 28 de Agosto de 1869,e em cumprimento d’ordens que superiormente me foram transmitidas,torna-se necessário e urgente que V. Exas na primeira sessão ,que deverá ter lugar no mais breve que possa ser,deliberem como julgarem mais conveniente,sobre qual das formas,estabelecidas no artigo 9º da citada lei,optam para a desamortização dos baldios que pertencem a essa Junta,lavrando de semelhante deliberação ,em acta no livro competente,de que me enviarão ,sem demora,cópia assinada por V- Exas,na qual acta devem descrever todos os baldios não exceptuados da desamortização, e declarar a forma de alienação adoptada para cada um deles,bem como se esta se deve fazer exclusivamente por meio de venda,ou de aforamento,ou por ambos os modos cumulativamente,como permite o parágrafo único do artº 10º da lei citada..Deus guarde V. Exas .Fundão,10 de Outubro de 1872.Ilustríssimos senhores Presidente e Vogais da Junta da Paróquia de Valverde.O Administrador do Concelho a)António d’Albuquerque e Britto de Silveira Lobatto.aa)O Presidente,Pe Manuel d’Oliveira Rocha O Vogal e Regedor,José d’Amoreira,O Vogal e Secretário,António de Oliveira Mattos.” A resposta encontra-se lavrada na Acta da Junta de 27/10/1872 do seguinte modo : “somos a dizer-lhe o seguinte :que nesta terra não há baldios;há apenas um CARVALHAL DO POVO ,única e exclusivamente,onde os habitantes desta freguesia se vão munir de lenhas ; e privados que fossem de tal direito,ficarão todos reduzidos à miséria,o pobre com necessidades vaixaria a propriedade alheia quantas vezes o imaginam.E o proprietário com a sua propriedade sujeita a quantas vaixassões lhe quiserem fazer.Nada mais se nos oferece dizer " A Lei a que o Administrador se refere é a Lei de 28/8/1869-Desamortização dos baldios – tinha como fim tornar cultiváveis as terras incultas, tendo nesta altura a questão sido dividida entre baldios e logradouros comuns,sendo que estes eram aqueles em que fazia um efectivo aproveitamento em pastos e lenhas, por parte da população. O baldio produzia pasto para alimento dos animais domésticos e mato para servir de cama aos animais que faziam estrume para fertilizar as terras. Isto garante que esta freguesia nunca teve vergonha de dizer que não gostava de ser oprimida ,atormentada e ,muito menos , humilhada. A extinção dos morgadios (1863) e a mobilização dos bens das câmaras municipais e dos baldios ,usufruídos pelas populações,eram medidas que se integravam no movimento geral das reformas tendentes à realização integral da alodialidade da terra,isto é, terra livre de encargos;propriedade não foreira. Mais tarde , o Ministério do Duque de Loulé,José Luciano de Castro e Anselmo Braancamp publicou um outro decreto (28 de Agosto de 1869) que tornava a desamortização extensiva aos passais dos padres,aos baldios e aos bens dos estabelecimentos de ensino.Assim,apenas ficavam excluídas as residências paroquiais e terrenos anexos indispensáveis ao uso pessoal do pároco,e os edifícios e prédios necessários às escolas e ao «logradouro comum dos povos,dos municípios e paróquias»; a isto se chamava a desamortização,sendo que o Carvalhal era do povo(logradouro comum dos povos)Nota : aqui vaixaria/vaixassões quer dizer vexar,isto é,fazer passar alguém por vergonha,oprimir,atormentar,humilhar...

publicado por valverdinho às 12:44
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Terça-feira, 6 de Abril de 2021

O Carvalhal do concelho antes do Carvalhal do Povo

O Carvalhal do Povo no Século XXI O Carvalhal ocupa uma zona da freguesia de Valverde bem delimitada por ser coberta de pedras castanhas,denominadas de cascalho,com extensa área de olival,anteriormente coberta por árvores,matos e pastagens. Era um baldio administrado pela Junta da Paróquia /Junta de Freguesia que regulava o seu uso pelos vizinhos ,arrematando todos os anos a sua fruição pelo arrendamento das pastagens públicas. Segundo José Monteiro ,no seu livro” Ao redor do Fundão”,a paginas 71,podemos ler o seguinte : “Remontado a eras pré-romanas a cultura sistematizada de castanheiro deve-se ,entre nós ,ao génio agrológico do Rei-Lavrador,que mandou plantar uma das três vertentes da Gardunha…. Assim amanheceu,para defesa da terra e abastanças dos povos ,a célebre Mata do Fundão,inscrita em longa faixa de úbere sub-solo,entre o plutónico do sul e o triangulo pleistocénico de Fundão-Donas_Valverde”. E,mais adiante,a páginas 341,com o título “O Carvalhal de Valverde”,escreveu também :”Remonta a tempos imemoriais a pública fruição do carvalhal de Valverde,robledo frondoso sucessivamente desbastado e de que há cerca de meio século apenas vicejavam moutas de arrebentação ,pespontadas de giesta e rosmano. O velho «carvalhal do concelho» ficou então coimeiro por determinação da Junta da Paróquia ,o que importava a inibição cominatória do respectivo logradouro,desde a época da arrebentação (Março-Abril) até aos fins de Agosto. O anúncio proibitivo era feito pelo vigário à missa conventual ,na entrada da Primavera : quem fosse encontrado a roçar mato em tempo de defeso seria acoimado à razão de um quartinho por infracção. Do mesmo modo se anunciava ,para o começo de Setembro,o uso comum dos matos ,subordinado à produção do baldio e às necessidades de cada vizinho.Para tanto,a Junta e o regedor designavam previamente o número de carradas que a uns e outros competiam e os dias destinados à roça,por famílias ou fogais.Em tempo próprio ,o próprio regedor avisava de casa em casa ,ao escurecer,os chefes de fogal a quem cabia a roça do dia seguinte. Assim feitas a distribuição e recolha,ficavam livres entre o povo os matos remanescentes. Mas o carvalhal entanguecia,mal abrolhavam já as moutas exaustas.E a um Domingo,3 de Abril de 1921,ao abrigo de disposição legal ,procedeu-se à repartição do baldio em 228 glebas ou bolémas – que tantas eram as famílias do agregado. Compareceram no carvalhal a Junta de Freguesia,o regedor,o vigário e todo o povo.Cada chefe de família ,chamado por ordem alfabética,tirou à sorte ,de um cântaro de folha,o bilhete com o número do respectivo quinhão. Dias antes,procedera o Presidente da Junta,com dois homens do povo,à divisão da terra em bolémas,cravando marcos e numerando as sortes. Fechava-se, assim,um longo estádio de amistosa fruição do baldio,que dava agora a sua raiz à faina agrícola de 228.vizinhos”.

publicado por valverdinho às 17:28
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Segunda-feira, 5 de Abril de 2021

Os novos habitantes do Carvalhal do Povo

OS HABITANTES A partilha do Carvalhal do Povo foi um sucesso e a Junta pensava ,entretanto, na possibilidade de tornar o lugar habitável e lhe dar vida com novos habitantes. Tendo verificado que “tendo ficado a Norte e Sul da Estrada uma facha de terreno punha à votação da mesma Junta se esta facha de terreno deveria ser dividida em glebas ou ser destinada para ali se construírem casas,destinadas à habitação dos habitantes desta freguesia, visto haver grande dificuldade em se adquirir qualquer pedaço de terreno para se construir uma casa.” A Junta decide afixar Editais “ a fim de que todo o habitante desta freguesia e que não tenha casa de habitação e que queira aforar um pedaço e tereno para esse fim venha inscrever-se.” “As condições de aforamento são as seguintes : 1º - O foro será pagão até ao dia 30 de Janeiro de cada ano e pelo preço mais alto que correr no último mercado de Dezembro no mercado do Fundão. 2º - Por cada duzentos metros quadrados de terreno pagará um lito de centeio ou o seu correspondente anualmente. 3º - Não é permitido aforarem-se mais de seiscentos metros quadrados de terreno. 4º - Todo aquele que não pagar o foro até ao dia trinta de Janeiro de cada ano pagará o dobro. 5º - Decorridos dois anos e que o foro não esteja pago pagará o triplo;decorridos oito anos perde o direito ao terrado. 6º - Decorrido o período de tempo da condição quinta a Junta arrendará o prédio por sua conta e só o entregará ao próprio pagando dez litros de centeio anualmente e por cada ano decorrido. 7º - Todo aquele que precisar de construir uma casa para si ou para os seus filhos,poderá aforar o terrado preciso para tal fim. 8º - Depois da casa construída o foreiro poderá reunir o seu foro à Junta que terminou a sua construção.” Relação dos terrenos e foreiros Nomes Foro anual Quantidade de terreno Manuel Nunes 3 litros 570m2 Manuel Lopes de Amoreira 3 litros 570m2 António Martins Leal 3 litros 28 m de frente José Filipe Manique 2 litros 16 m de frente José Afonso 1 ½ litro 10 m de frente Manuel Matias Rocha 1 ½ litro 10 m de frente António Arraiano 1 litro 7 m de frente Piedade Almeida 1 ½ litro 12 m de frente José Maria Rolo 1 ½ litro 10 m de frente Manuel Ramos 1 ½ litro 10 m de frente Amaro Fortunato 1 ½ litro 10 m de frente Boaventura Alves Almeida 1 ½ litro 10 m de frente José Maria Alves Almeida 1 ½ litro 10 m de frente José Catarino Nunes 1 ½ litro 10 m de frente Firmino Tavares 1 ½ litro 10 m de frente João Tavares 1 ½ litro 10 m de frente Clemente José 1 ½ litro 10 m de frente António de Oliveira 1 ½ litro 20 m de frente Ana Nunes 1 ½ litro 20 m de frente Francisco Ramos Martins 1 ½ litro 20 m de frente Adélia Lopes de Amoreira Serra 1 ½ litro 20 m de frente Antónia Lopes de Amoreira 1 ½ litro 20 m de frente José de Oliveira Braz 1 ½ litro 20 m de frente Maria José Umbelina 1 ½ litro 20 m de frente Francisca Afonso 1 ½ litro 20 m de frente António Tomé 1 ½ litro 20 m de frente Joaquim Lourenço Carlos 1 ½ litro 20 m de frente Esta direcção de entregar novos terrados para construção foi seguida pela nova Junta que adjudicou os terrenos a Norte da Estrada nos anos de 1924 e 1926,nos mesmos termos da anterior resolução e alargando o prazo para construção devido às dificuldades então existentes.

publicado por valverdinho às 09:53
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